“Eu amarei você. Mesmo que não me queiras mais e me mande embora. Mesmo que vá embora e me deixe para trás. Mesmo que diga, olhando em meus olhos, que não mais me ama. Mesmo que outra apareça em sua porta e você a deixe entrar. Mesmo que substitua o cheiro em seu travesseiro pelo cheiro de outra. Mesmo que esqueças o cheiro do meu perfume e esqueças até do meu nome. Eu amarei você.
“Sensível pra cacete, maldosa na mesma intensidade, feliz de andar cantando e depressiva de nunca achar que uma janela é só uma janela. E cheia de manias bem estranhas (…) Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?